En el muelle de San Blas
Quem de nós em sã consciência, gostaria de ir ao Panamá? Ninguém, NINGUÉM, nin-guém! Era o que Isabel ficava repetindo para si mesma! No fundo ela queria se convencer de que nem ela, nem qualquer outro ser vivente na terra, teria interesse em ficar uma semana no Panamá com tudo pago. Afinal, quem é que precisa de pechinchas na vida? Tudo que vem fácil, vai fácil. Quando a esmola é demais o santo desconfia. Conquistar é melhor do que ganhar. E assim foi, uma enxurrada de clichês para tirar a sensação de ser idiota do peito. Até que ali, deitada olhando pro teto limpo de seu quarto, Isabel se rendeu ao óbvio. Ela chorou. Não chorou copiosamente, ela não é disso. Mesmo assim era choro. Tentou justificar pra si mesma que aquele era um choro justo diante da injustiça, duas lágrimas tristes na tristeza, um falso consolo para os desconsolados. Quando Isabel era pequena e se sentia assim, ela chupava limões, e hoje pensando bem sobre esse detalhe, atentou de que deve ser por isso que lim...