Burn (everything) out!
Não sei, era segunda-feira, eu estava nos últimos momentos alucinantes do "Bebê de Rosemary". Eu sempre tive um relacionamento tóxico com o filme, um ódio e uma repulsa gigante, porém, toda vez que me foi dada a oportunidade de assistir, eu assistia. Depois, ficava com a sensação de estar sendo observada e corria para o quarto dormir, subindo dois degraus de cada vez, acendendo as luzes com olhar ressabiado. Anos nessa, minha amiga me apresenta a oportunidade de desmistificar ou acabar com os maus sentimentos em relação ao enredo do filme. Ela veio me dizendo que o livro era bem melhor e que trazia um olhar muito contemporâneo sobre o papel da mulher na sociedade. A feminista dentro de mim gritou de curiosidade, a adolescente sem medo de nada (só do pai do bebê de Rosemary), ficou meio assim com a proposta. Ela trouxe o livro e eu cozinhei ele na mesa de cabeceira por quase 1 mês, literalmente dormindo ao lado do inimigo, desbaratinei a vida lendo Agatha Christie para o book club.
O que eu queria dizer depois dessa introdução é que, eu li! E naquela segunda, estava nos parágrafos finais, já sem respirar com regularidade e atônita com o desenrolar dos fatos, pois o livro é muito mais intenso que o filme, senti uma pontada na garganta. Acabei o livro, fiquei com aquela cara de sempre, pânico adulto controlado.
Levemente, larguei o livro. desliguei a luz e me acomodei no escuro.
Acendi a luz de novo, clic! um gole de água
clic! manteiga de cacau nos lábios
CLIC! Uma melatonina mastigável, sabor morango
A dor na garganta cresce, já não consigo dormir! Começa a chover, vento, chuva, o frio que vai chegar, pensamentos desconexos, o bebê da Rosemary tem olhos amarelos, a chuva se intensifica e a dor também, a criança tem rabo! Como que vai pra escola? Adrian, que nome macabro, não não eu gosto de Adrian, mas é nome de terror, e se ele for pra escola, vão esconder o rabo de Adrian! Rosemary mudou o nome dele, Andrew! Quem escolheu o nome de Rosemary para a mãe do filho do outro? Ah! No fim, é um nome emblemático, Mary, Rosemary. Ambas escolhidas, para o bem ou para o mal, escolhidas! Antagonistas no cenário religioso, aliadas no amor incondicional de mãe. Mary Rose Mary...
3:33a.m o alarme da casa dispara, fim de qualquer possibilidade de sono pra sempre! Um salto a distância, entre a cama e a janela, na esperança de ver o motivo do alarme, ou não! Será que eu quero ver? O outro elemento no quarto também vai para a janela, mas sem medo de ver nada, pois nem sabe que eu procurava na escuridão o responsável, Adrian! Nãaaaaaaaaao, não quero ver Adrian nenhum, JESUS! Não, nem ele, se eu o ver, certamente morri!
Desliga o alarme, religa, dispara, aaaaaaaaaaah! A gente se olha, senta na beira da cama e aguarda, discute se vamos ou não religar e biiiiip, alguém ligou! Olho no olho no escuro, um vamos dormir.
Não consigo, não consigo, a garganta já não me deixa mais alternativa. Escrevo para minha chefe, aviso que Adrian me pegou e amanhã não poderei falar pois sinto como se sua cauda estivesse na minha garganta e seus olhos amarelos me julgassem por não poder trabalhar no outro dia, com esse incômodo que me impedia de falar.
A dor no corpo foi o que faltava, não dava mais pra mexer nenhum músculo sem sentir um peso e uma dor sem precedentes, a garganta ainda sem expelir palavra ou a boca sem expelir perdigotos! O silêncio, a noite nos deixando, a chuva baixando, os olhos de Adrian se erguendo no céu, como se fossem o sol, a manhã chegou. Doente, finalmente me viro na cama, um gemido de dor e rendição, a gata vem e se acomoda ao meu lado, tudo se embaralha, olho o celular, a chefe não respondeu, eu também não tenho nada a dizer, sinto culpa por adoecer de repente...
Dormi! Ou, acordei do pesadelo.
O Andrew vai pra escola e a Rosemary participa de todas as reuniões de mães, preside a Associação de Pais e Mestres e vende todas as rifas da Festa Junina. Parece que o filho dela só não vai bem em inglês kkkk
ResponderExcluirHahahahahahaha deve ser pq a teacher tem um pouco de medo dele e ele sente isso!!
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