Quantos episódios tem uma temporada?
Em duas pontas do país, na de cima e na de baixo, histórias de amor, duas pessoas, que não se conheciam, porém viviam momentos semelhantes; o fim. E talvez o fim trouxesse um começo.
Manu escreveu uma carta, a carta de amor mais linda que qualquer carta de amor do extremo norte! Leu e releu a carta, teve certeza do que estava escrito, sentiu cada palavra! Sorriu, envelopou, selou e depositou numa caixa amarela, na rua principal! Dali sairia o arauto do seu amor! Em 3 meses, Manu pensou, em 3 meses estaremos juntos e poderemos divagar, refletir, consagrar essas palavras. Fazia um ano que Manu estava fora e trabalhou tanto que não teve tempo de escrever.Atravessou a rua, comprou uma água e finalmente descansou.
No sul, Kaka andava pra lá e pra cá com uma criança no colo. O sol já se punha, o resquício de um dia que tinha sido quente e bonito. Kaka, segurando o que era sem dúvidas o grande amor de sua vida, esperava aquele que já tinha sido. Desde cedo às voltas com esse amor, Kaka agora só ansiava por um bom banho e comida. Mas as demandas amorosas, ainda não tinham lhe permitido esses pequenos prazeres, durante esse dia inteeeeiro. Quem deveria estar ali para ajudar, ajudava a si mesmo, num futebol que começara às 9h da manhã e agora, 17:45 ainda não tinha acabado.
Manu, com a certeza de um fim glorioso, 3 meses e 10 dias depois da carta, subiu no ônibus rumo ao lar. No seu walkman, só música romântica do Caetano. Ali ele sonhava acordado, sentado próximo a janela, contemplava a paisagem suspirando. Aquele seria finalmente o reencontro que culminaria em um lindo casamento. Uma festa grandiosa, cheia de parentes vindos do interior, bolo branco, espumante doce, decoração fina e forró. Deliciosamente adormeceu sorrindo, no balanço do veículo, sentiu-se embalado e direcionado aos mais belos sonhos de amor. Logo, ele estaria em casa, nos braços da pessoa amada.
Kaka abriu a porta para a pessoa (não tão) amada assim. Um sorridente, o outro taciturno. A criancinha dormia tranquila no sofá. Kaka passou a mão pelo cabelo sujo, uma lágrima rolou pelo seu rosto e morreu no lábio superior, ela sorveu, como se fosse o elixir da força, e quando a força chegou, ela gritou! Gritou tudo que estava entalado, encheu o ambiente de verdades e desaforos, destrancou a porta de todos os dragões guardados e o sorriso do outro, se esvaiu, alojou-se no fundo da alma para nunca mais (até segunda ordem). Ela pediu um tempo, para tomar banho e juntar suas coisas, o tempo lhe foi concedido. E assim, com mais e sem menos, tomou o bebê nos braços, suas bolsas temáticas do Totoro cheias de itens e lembranças, foi-se embora, para aquele nunca mais que ás vezes é só da boca pra fora.
O ônibus chegou tarde da noite, Manu desembarcou na rodoviária, na TV passava o domingo maior e o filme era Duro de matar. Ele sentou numa lanchonete e pediu uma coxinha e um refri. Comeu com calma, saboreando a iguaria e vendo o filme, que lhe parecia inédito naquela semana. estava muito ansioso para o momento sublime, mas sem pressa. Parecia que seu coração, mesmo no desespero do amor, já sabia o que estava por vir, batia lentamente, se poupando para mais tarde, quando teria que galopar pra segurar Manu nas pernas.
Kaka chegou na casa da mãe, despejou seus pertences no chão da cozinha e foi jantar. Contou assim meio que por cima o que aconteceu, a mãe suspirou. Fim de uma temporada com episódios flopados.
Manu forçou a porta, achou que tava emperrada, sua chave não abriu. Ouviu um arrastar de chinelos, porta aberta, outro com cara de sono, onde estava a amada de Manu? Ali atrás do outro, mas com cara de pânico. Manu? Voltaste homem? Faz ano que não sei de ti!
E a carta? Mandei carta!
Que carta? Não recebi carta!
Fim de uma temporada com episódios equivocados.
Passaram muito barcos por debaixo da ponte, Manu conheceu uma outra alguém, dessa vez não foi pra nenhum longe que precisasse de carta. Casou! Todos os parentes do interior trouxeram presente, o bolo era branco e o espumante era doce. Lua de mel, naquela cidade que Manu passara o tempo longe, a caixa amarela do correio ainda estava lá. Curioso, entrou no correio e perguntou se alguma carta postada naquela caixa, havia voltado ao remetente anos atrás. Eis que o atendente largou um OXI! Aquela caixa é só decorativa!
Abriram a caixa só pra saber e lá estava: Rosa, em 3 meses retorno pra nosso casamento...
Muitos quero-queros fizeram ninho no estacionamento do trabalho de Kaka, até ela receber um textão no whats e um link para uma música do Pato Fu, e o tempo tempo mano velho que faltava um tempo ainda eu sei, fez a sua mágica! O bebê já caminhava sozinho, os fardos eram mais leves, o futebol já não era a tarde toda, as conversas se tornaram mais tenras e a vida ia a todo vapor. O cara, voltou a ser a metade que lhe faltava. Tinha espaço na vizinhança do coração dela e do dele, ela nunca nem tinha saído. Os sorrisos se alinharam e lá estava: Amor, em 3 anos repensei nosso casamento...
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